Plano de Recuperação de Desastres de TI (DRP): Como Restaurar sua Empresa em Caso de Falha Total
Um HD que queima, um ataque de ransomware, um alagamento no escritório ou simplesmente o notebook do financeiro roubado no ônibus. Para uma pequena empresa, qualquer uma dessas situações pode parar o trabalho por dias. Grandes empresas têm equipes inteiras para isso, mas um plano de recuperação de desastres simples, de duas ou três páginas, já faz enorme diferença para um negócio pequeno. Este guia mostra como montar o seu.
Dois conceitos que guiam o plano: RTO e RPO
- RTO (tempo de recuperação): quanto tempo a empresa aguenta ficar parada. Uma loja que vende pelo site talvez aguente poucas horas; um escritório de contabilidade, talvez um dia.
- RPO (ponto de recuperação): quanto trabalho você aceita perder. Se o backup é diário, no pior caso perde-se um dia de dados. Se a empresa não pode perder nem uma hora, o backup precisa ser contínuo.
Definir esses dois números para cada sistema importante orienta todas as outras decisões, inclusive quanto vale a pena investir.
Passo 1: faça o inventário
Liste o que a empresa precisa para funcionar:
- Equipamentos: computadores, notebooks, impressoras, roteador.
- Sistemas: sistema de gestão (ERP), emissor de notas, e-mail, site, banco online.
- Dados: onde ficam planilhas, contratos, cadastro de clientes, arquivos de projetos.
- Acessos: quem tem as senhas do domínio, da hospedagem, do certificado digital e das contas em nuvem.
Muitas empresas descobrem nessa etapa que só uma pessoa sabe a senha de algo essencial. Resolva isso com um gerenciador de senhas compartilhado.
Passo 2: classifique por prioridade
Separe os itens em três grupos: o que precisa voltar em horas, o que pode esperar um ou dois dias e o que pode esperar uma semana. Isso define a ordem de recuperação quando algo acontecer.
Passo 3: garanta backups que funcionam
Sem backup, não existe recuperação. Siga a regra 3-2-1: três cópias, em dois tipos de mídia, uma delas fora da empresa. Pelo menos uma cópia deve ficar desconectada ou protegida contra alteração, para resistir a ransomware. Explicamos tudo em backup de arquivos: guia para nunca perder dados e em backup automático na nuvem.
Passo 4: escreva o que fazer em cada cenário
Para os cenários mais prováveis, escreva passos curtos e diretos:
- Computador quebrado ou roubado: bloquear contas do usuário, trocar senhas, providenciar outro equipamento, restaurar arquivos do backup.
- Ransomware: desconectar a máquina da rede, não pagar resgate por impulso, acionar o suporte técnico, restaurar do backup limpo. Veja o checklist de segurança digital para prevenir.
- Internet fora do ar: ter um plano B, como roteador 4G/5G ou o celular de um funcionário como ponto de acesso.
- Site ou e-mail fora do ar: contato da hospedagem e de quem administra o domínio.
- Falta de energia prolongada: nobreak para os equipamentos críticos e possibilidade de trabalho remoto.
Passo 5: lista de contatos
Guarde em papel e no celular: suporte técnico, provedor de internet, hospedagem, contador, banco, seguradora e responsáveis internos. Durante um incidente, os computadores podem estar inacessíveis, por isso a versão impressa é importante.
Passo 6: comunique clientes
Tenha uma mensagem padrão pronta para avisar clientes sobre instabilidade, pelo WhatsApp, redes sociais e e-mail. Se houver vazamento de dados pessoais, a LGPD pode exigir comunicação à ANPD e aos titulares. Veja LGPD para pequenas empresas.
Passo 7: teste o plano
Um plano nunca testado costuma falhar na hora. Uma ou duas vezes por ano:
- restaure arquivos do backup em outro computador;
- simule que um computador "sumiu" e veja quanto tempo leva para alguém voltar a trabalhar;
- confira se os contatos e senhas da lista ainda valem.
Modelo resumido
- Inventário de equipamentos, sistemas, dados e acessos.
- Prioridade e RTO/RPO de cada item.
- Como e onde são feitos os backups.
- Passos para cada cenário.
- Lista de contatos.
- Mensagem para clientes.
- Data do último teste e responsável.
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Pequena empresa precisa mesmo de plano de recuperação de desastres?
Sim. Não precisa ser complexo: um documento curto com inventário, backups, contatos e passos para os cenários mais prováveis já reduz muito o tempo parado quando algo dá errado.
O que é RTO e RPO?
RTO é o tempo máximo que a empresa aceita ficar parada. RPO é a quantidade máxima de dados que ela aceita perder, medida em tempo desde o último backup.
Com que frequência devo revisar o plano?
Pelo menos uma vez por ano e sempre que mudar algo importante, como trocar de sistema, de fornecedor de internet ou contratar novos funcionários.