Como ativar o TPM 2.0 e o Secure Boot na BIOS para o Windows 11
Ativar o TPM e o Secure Boot resolve boa parte dos casos em que um computador relativamente novo recebeu a mensagem de que não atendia aos requisitos do Windows 11. Muitas vezes, o hardware tinha tudo o que era preciso, mas dois recursos estavam desligados na BIOS: o TPM 2.0 e o Secure Boot. Este guia mostra como verificar se o seu computador tem esses recursos e como ativá-los com segurança.
O que são TPM e Secure Boot
- TPM (Trusted Platform Module) é um componente de segurança que guarda chaves de criptografia de forma protegida. O Windows usa o TPM para o BitLocker, para o Windows Hello e para verificar a integridade do sistema na inicialização. Na maioria dos computadores fabricados de 2017 em diante, ele vem embutido no próprio processador, com o nome de Intel PTT ou AMD fTPM.
- Secure Boot (Inicialização Segura) é um recurso do UEFI que só permite carregar sistemas e drivers de inicialização assinados digitalmente. Ele impede que um malware do tipo bootkit se instale antes do Windows, como explicamos no artigo sobre rootkits e bootkits UEFI.
Como verificar a situação atual
TPM
Pressione Windows + R, digite tpm.msc e confirme. Se aparecer "O TPM está pronto para uso" e a versão da especificação for 2.0, está tudo certo. Se aparecer "Não foi possível encontrar um TPM compatível", ele está desativado na BIOS ou o computador não tem o recurso.
Secure Boot e modo UEFI
Pressione Windows + R, digite msinfo32 e confirme. Na tela de Resumo do Sistema, procure:
- Modo da BIOS: precisa ser UEFI. Se aparecer "Herdado" (Legacy), há um passo extra, explicado abaixo.
- Estado de Inicialização Segura: Ativado, Desativado ou Sem suporte.
Atenção antes de mexer: o modo da BIOS
Se o Modo da BIOS for "Herdado", não ative o Secure Boot nem desative o CSM (modo de compatibilidade) ainda. O Secure Boot exige que o disco use o esquema de partições GPT, e discos instalados no modo herdado usam MBR. Mudar a BIOS sem converter o disco faz o Windows parar de iniciar.
A conversão pode ser feita sem perder dados com a ferramenta MBR2GPT, do próprio Windows. Abra o Prompt de Comando como administrador e valide primeiro:
mbr2gpt /validate /allowFullOS
Se a validação passar, converta:
mbr2gpt /convert /allowFullOS
Só depois disso entre na BIOS, mude o modo de inicialização para UEFI (desativando o CSM) e ative o Secure Boot. Mesmo sendo uma ferramenta oficial, faça um backup completo antes. Nosso guia de backup mostra opções simples. Para entender melhor CSM e modos de inicialização, veja otimização da BIOS UEFI.
Como entrar na BIOS
O jeito mais confiável no Windows 10 e 11 é: Configurações > Sistema > Recuperação > Inicialização avançada > Reiniciar agora. Depois, Solução de problemas > Opções avançadas > Configurações de Firmware UEFI > Reiniciar.
Também funciona apertar repetidamente uma tecla logo que o computador liga. As mais comuns são Delete ou F2 em desktops, F2 em notebooks Acer, Asus e Dell, F10 em HP e F1 ou Enter em Lenovo.
Onde fica a opção do TPM em cada marca
Os nomes mudam conforme o fabricante da placa-mãe ou do notebook. Procure:
| Fabricante | Onde costuma estar | Nome da opção |
|---|---|---|
| ASUS (Intel) | Advanced > PCH-FW Configuration | Intel Platform Trust Technology (PTT) |
| ASUS (AMD) | Advanced > AMD fTPM Configuration | Firmware TPM |
| Gigabyte | Settings > Miscellaneous | Intel PTT ou AMD CPU fTPM |
| MSI | Settings > Security > Trusted Computing | Security Device Support / AMD fTPM |
| ASRock | Advanced > CPU Configuration ou Security | Intel PTT / AMD fTPM switch |
| Notebooks Dell, HP, Lenovo | Security | TPM Device, TPM State ou Security Chip |
Ative a opção, salve com F10 e reinicie. Rode tpm.msc de novo para confirmar.
Como ativar o Secure Boot
Com o modo UEFI já ativo, procure a aba Boot ou Security. Em muitas placas, o Secure Boot aparece como "Disabled" ou "Other OS". Mude para "Enabled" ou "Windows UEFI mode". Algumas placas exigem que você restaure as chaves padrão ("Install default Secure Boot keys" ou "Restore Factory Keys") antes de ativar. Salve e reinicie.
E se o computador não tiver TPM 2.0?
Processadores Intel anteriores à 8ª geração e AMD anteriores à série Ryzen 2000 em geral não estão na lista oficial de compatibilidade do Windows 11, mesmo quando têm TPM. Para esses casos, discutimos alternativas, riscos e opções no artigo Windows 11 em PC antigo. Vale lembrar que o suporte ao Windows 10 já terminou, assunto do guia fim do suporte ao Windows 10.
Ativar o TPM tem algum risco?
Ativar o TPM é seguro e não afeta os dados. O cuidado está no caminho inverso: se o BitLocker estiver ativo, desativar ou limpar o TPM faz o Windows pedir a chave de recuperação na próxima inicialização. Antes de qualquer alteração em um computador que já usa BitLocker, confirme que você sabe onde está a chave de recuperação, normalmente salva na conta Microsoft.
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Ativar o TPM apaga meus arquivos?
Não. Ativar o TPM na BIOS não mexe no disco. O único cuidado é com o caminho inverso: desativar ou limpar o TPM em um computador com BitLocker exige a chave de recuperação para voltar a acessar o disco.
Intel PTT e AMD fTPM são TPM de verdade?
Sim. São implementações do TPM 2.0 dentro do firmware do processador e são aceitas pelo Windows 11. Elas dispensam o módulo físico separado que algumas placas-mãe oferecem como acessório.
Posso ativar o Secure Boot com o Windows instalado em modo Legacy?
Não diretamente. Primeiro é preciso converter o disco de MBR para GPT com a ferramenta MBR2GPT e mudar a BIOS para o modo UEFI. Ativar o Secure Boot antes disso impede o Windows de iniciar.
O Secure Boot impede instalar Linux?
As principais distribuições, como Ubuntu e Fedora, funcionam com o Secure Boot ativado. Algumas distribuições menores ou drivers de terceiros podem exigir desativá-lo ou cadastrar chaves próprias.